Acesso da população trans ao mercado de trabalho: quais são os desafios?
- Gabriela de Oliveira
- 2 de mar.
- 4 min de leitura
Atualizado: 13 de out.
As pessoas trans enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho por uma combinação de fatores estruturais, sociais e institucionais.
Muitas empresas ainda têm resistência em contratar pessoas trans por causa de estereótipos e preconceitos e há um medo infundado de que a presença de uma pessoa trans cause "problemas" no ambiente de trabalho.

Dentre os principais problemas enfrentados, estão: preconceito e discriminação (muitas empresas ainda têm resistência em contratar pessoas trans, seja por preconceito explícito ou por estereótipos que afetam a avaliação das competências profissionais); falta de oportunidades e baixa representatividade (há poucas políticas de inclusão para pessoas trans no mercado de trabalho, e a falta de referências trans em cargos diversos dificulta a aceitação e contratação); dificuldade na retificação de documentos (quando os documentos ainda não foram atualizados com o nome e gênero corretos, a divergência pode gerar constrangimentos ou até mesmo impedir a contratação) e a baixa escolaridade e qualificação profissional devido à exclusão social desde a infância, muitas pessoas trans enfrentam dificuldades para concluir os estudos ou acessar cursos de qualificação.

Outros problemas existentes são a falta de oportunidades de crescimento, ou seja, mesmo quando são contratadas, pessoas trans muitas vezes enfrentam barreiras para promoções e reconhecimento profissional, muitas vezes devido à falta de apoio e rede de contatos (networking), ou seja, como muitas pessoas trans enfrentam rejeição familiar e social, elas têm menos acesso a contatos profissionais que possam indicar oportunidades de trabalho. Além disso, há a dificuldade do acesso a banheiros e vestiários, pois muitas empresas não possuem políticas claras sobre o uso de banheiros conforme a identidade de gênero, gerando desconforto e até exclusão.
Quais são as principais profissões às quais a população trans tem acesso nos dia atuais?
Durante muito tempo, as únicas oportunidades de trabalho para as pessoas trans foram a prostituição e o entretenimento, mas esse cenário tem se modificado nos últimos anos.
Atualmente as pessoas trans estão presentes em diversas áreas profissionais, mas,

devido à exclusão social e à discriminação, muitas acabam concentradas em setores onde há maior aceitação ou menor exigência de formação acadêmica, como: beleza e estética (cabeleireiro, maquiador, manicure, esteticista); entretenimento e arte (drag queen, dançarino, músico, performer); autônomos e empreendedores (pequenos negócios, artesanato, vendas online); tecnologia e TI (programação, design gráfico, suporte técnico) e ativismo e terceiro setor (trabalhos em ONGs, coletivos e projetos sociais).
As áreas com menor inclusão, mas com avanço na contratação de pessoas trans são: educação e pesquisa (professores, pesquisadores, palestrantes); saúde (psicólogos, assistentes sociais e terapeutas); administração e RH (assistente administrativo, recursos humanos, atendimento ao público); moda e design (modelos, estilistas, designers de moda) e comunicação e mídia (jornalistas, influenciadores digitais, publicitários).
As áreas mais conservadoras, que ainda apresentam grande barreira de entrada: direito (advogados, juízes); engenharia e áreas técnicas, segurança pública (policiais, militares) e cargos de liderança em grandes empresas.
Como mudar esse cenário?

Tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo para pessoas trans exige ações concretas e um compromisso real da empresa, como: políticas de diversidade e inclusão (criar e divulgar políticas explícitas contra discriminação de pessoas LGBTQIAPN+, incluindo cláusulas específicas para pessoas trans e incluir diversidade de gênero nos códigos de conduta da empresa); uso do nome social e respeito à identidade de gênero (permitir e incentivar o uso do nome social em crachás, e-mails e sistemas internos, mesmo que os documentos ainda não tenham sido retificados e treinar gestores e equipes para usarem corretamente o nome e pronomes das pessoas trans); treinamento e sensibilização (oferecer treinamentos regulares sobre diversidade e inclusão para todos os funcionários e criar espaços de diálogo para que as pessoas trans possam compartilhar experiências e desafios); acesso a banheiros e vestiários adequados (permitir que as pessoas trans usem o banheiro correspondente à sua identidade de gênero, e, se possível, oferecer opções de banheiros neutros para maior conforto).
Ainda pode haver processos de contratação mais inclusivos (garantir que anúncios de emprego e entrevistas de recrutamento sejam livres de viés discriminatório, e estabelecer metas para a inclusão de pessoas trans e divulgar oportunidades em redes voltadas para essa população); apoio ao crescimento profissional (criar programas de mentoria e desenvolvimento de carreira para pessoas trans e garantir que oportunidades de promoção e crescimento sejam acessíveis a todos, sem viés discriminatório) e incentivo à formação de uma rede de apoio e bem-estar que ofereça benefícios que contemplem necessidades específicas de pessoas trans, como plano de saúde que cubra hormonioterapia e cirurgias de afirmação de gênero, além de criar grupos de apoio dentro da empresa para que pessoas trans tenham um espaço seguro para trocar experiências.
Embora o mercado de trabalho ainda seja excludente, a inclusão de pessoas trans está crescendo, especialmente em empresas que adotam políticas afirmativas. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Você enfrenta ou conhece alguém que esteja enfrentando esse tipo de desafio e acredita que um suporte psicoterapêutico poderia ajudar?
Conte comigo neste processo!


